Nos salões dos reis e rainhas,
Incrustados de pedras preciosas,
O ouro brilha reluzente,
Banhado por sangue inocente,
Que ninguém ousou contestar.
Entre as valsas, falsas risadas,
Entre os brindes, terror disfarçado.
Aos ogros só resta o pântano,
Afundados no esgoto real.
Os anões extraindo esmeraldas,
Diamantes de valor sem igual.
A coroa carrega o glamour
Dos milhões que morreram sem pão,
Pra manter fantasioso padrão,
Da indecente e podre ilusão.
Cada respiro de um rei,
Celebra a morte de alguém,
Que continuará a morrer em vão.
10/09/22
[Michel F.M. - Revolesia]
-
Autor:
Michel F.M. (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 28 de setembro de 2026 05:34
- Comentário do autor sobre o poema: O poema "Memórias de um Bobo da Corte" é uma forte crítica social e política que utiliza a metáfora da monarquia absolutista para denunciar a exploração, a hipocrisia das elites e a desigualdade humana. Abaixo, apresento uma análise detalhada estruturada pelos principais aspectos da obra: 1. Temática Central: O Custo Oculto do Poder - O tema principal é a desmistificação do glamour da realeza, revelando que a riqueza e a ostentação dos governantes são construídas sobre o sofrimento, a exploração e a morte da classe trabalhadora ("sangue inocente" e "milhões que morreram sem pão"). 2. Análise Monostrófica (uma única estrofe com 17 versos) e Dualidades - O poema constrói um contraste nítido entre dois mundos que coexistem no mesmo reino: • O Mundo do Topo (A Ilusão): Representado por "salões", "pedras preciosas", "ouro", "valsas" e "coroa". É o ambiente da artificialidade, onde as risadas são falsas e o terror é mascarado pela etiqueta social. • O Mundo da Base (A Exploração): Representado pelos "anões extraindo esmeraldas" e pelos "milhões sem pão". Há também uma menção aos "ogros" afundados no "esgoto real", simbolizando aqueles que foram marginalizados e desumanizados pelo sistema. 3. Figuras de Linguagem e Recursos Estilísticos - • Metáfora: O "bobo da corte" (no título) é a metáfora do observador silencioso. Historicamente, o bobo era o único que podia dizer verdades ao rei através do humor. Aqui, ele assume um tom sério e melancólico para relatar o que vê por trás das cortinas. • Antítese / Contraste: Oposição direta entre a riqueza extrema ("ouro brilha", "glamour") e a miséria absoluta ("morreram sem pão", "esgoto"). • Hipérbole: "Cada respiro de um rei / Celebra a morte de alguém". O autor amplifica o impacto das ações da elite para mostrar como a mera existência desse padrão de vida consome a vida dos súditos. 4. Tom e Temporalidade - O tom do poema é de indignação, melancolia e denúncia. Embora utilize elementos medievais e de contos de fadas (reis, rainhas, anões, ogros), o poema possui um caráter atemporal. Ele funciona perfeitamente como uma alegoria do capitalismo moderno ou de qualquer sistema político onde uma minoria vive no luxo às custas da opressão de uma maioria. O desfecho é pessimista: a engrenagem da opressão continua girando, e o ciclo de injustiça se repete de forma contínua ("continuará a morrer em vão"), pois "ninguém ousou contestar".
- Categoria: SociopolÃtico
- Visualizações: 200
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M., Wesley Cordeiro, Flavia Souza, Ema Machado, Versos Discretos, Vilma Oliveira
- Em coleções: Revolesia (Volume Único).

Offline)
Comentários4
Reis e Rainhas, interessante, sempre me pergunto, quem os inventou?
Tristemente isso vai bem mais além hoje em dia.
Ótima Crítica social !!
Belo poema de protesto pelos que morrem para manter a majestade de alguns poucos vilões. A Terra sempre terá esses vilões: reis ou políticos que sugam o povão! Bravos pelo protesto!
Boa noite caro poeta! O poema Memória de um Bobo da Corte de Michel F.M., apresenta uma crítica contundente e visceral à opressão social, utilizando elementos da fantasia e da monarquia clássica como alegorias para a desigualdade do mundo real. O autor justapõe o brilho do ouro e das pedras preciosas ao sangue inocente e à morte por fome. O glamour da realeza é diretamente financiado pela miséria e pelo sacrifício extremo dos súditos. Mostram que a opulência é apenas uma fachada mantida pelo medo e pela conivência. A menção aos anões trabalhando na extração e aos ogros relegados ao pântano ou esgoto real serve como uma metáfora perfeita para a exploração da classe trabalhadora e a exclusão social dos marginalizados. Em suma, trata-se de um manifesto poético revolucionário que desconstrói a visão romântica dos contos de fadas, revelando a engrenagem cruel que sustenta os privilégios das elites às custas do sofrimento do povo. Meus parabéns por seu belíssimo poema! Meu abraço fraterno.
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