Acredito na minha própria história mal contada,
Que nem se quer me lembro das minhas escritas e falas,
repetindo a farsa até virar verdade,
daquilo que fiz, não me lembro de nada,
do fim que eu mesma atraso,
apago o rastro com fria facilidade.
Inverto o espelho pra não ver o estrago,
fiz da culpa um fardo que atiro para o outro, outro lado,
transformo em veneno o afeto que você traga,
e juro minha inocência pra tirar minha reta de lado.
Crio um labirinto em que a mente se perde,
onde a memória é sempre maleável,
mas quem me conhece por dentro percebe,
meu esquecimento é só covardia confortável.
Digo sempre ser momento errado,
vaidade presa em minhas desculpas vãs,
se depender do meu fardo,
morrerá tudo nas manhãs.
Teve a coragem de assumir,
viver o que o peito guardou,
mas bastou tudo se abrir
pra ver o quanto me recuo.
Duas faces em conflito,
um quebra-cabeça que cansa e esgota,
tentou curar o meu atrito,
mas minha vaidade, ego, narciso e turbilhões se revolta.
Tentou endireitar e consertar
essa história tão torta,
mas se a verdade me afeta,
fecho todas as portas.
Cansou de dar murro em ponta de faca
e seguiu o caminho após acordar de uma ressaca
"Eu não presto, é melhor ir adiante e seguir a sua rota
Desejo toda felicidade do mundo, mas temperei a salada para uma outra"
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Autor:
Ana Gonçalves (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 28 de setembro de 2026 02:48
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.

Offline)
Comentários1
Uma verdadeira obra-prima em forma de poesia. Cada linha tem uma força incrível.
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