Não espero de ninguém
nem pedra nem aplauso.
Mandar me cansa.
Obedecer me dá sono.
Não temo a mim—não,
não temo a ninguém.
Só o riso que escapa
talvez mereça altar.
O peso do que fiz.
O tédio do que farei.
Não seria melhor sumir no deserto?
Virar bicho,
lamber a própria ferida,
voltar ao caos
como quem volta pra casa?
Lá o tempo se conta
em goles de veneno.
Me encontrar.
Me confessar sem verdade.
E rir do perdão.
A arrogância tem seu êxtase.
O desprezo me encara.
Eu bocejo.
O espelho me cumprimenta e cai.
O mundo então responde...
que responda em silêncio.
Não é fé.
É teimosia.
O Tédio em Alta Definição
de Ayalah Verônica Berg
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Autor:
Ayalah Berg (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 27 de setembro de 2026 11:41
- Comentário do autor sobre o poema: "O fundamento da existência é um abismo (Abgrund). Quem quer fundar-se sobre o Ser deve mergulhar no nada desse abismo." –Martin Heidegger
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 8
- Usuários favoritos deste poema: Morlock, Ayalah Verônica Berg, Michel F.M., Queiroz Francisco

Offline)
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