APENAS EU

Fábio Alves Leão

No quarto quieto, a noite insiste

Em ensinar o corpo a esperar.

O desejo acende, triste,

Como lâmpada que começa a faltar.

 

Ele caminha sozinho na pele,

Bate à porta do sonho e não entra,

É chama que aquece e fere,

É sede que bebe da própria lembrança.

 

Meu toque aprende o teu contorno

Sem jamais te alcançar,

Desenho no ar um retorno

Que o tempo não quer me dar.

 

Entre suspiros guardados no peito,

Sou cais sem barco, mar sem luar;

O desejo, solitário e perfeito,

Ama o que não pode tocar.

  • Autor: Brendon Leão (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 26 de setembro de 2026 06:12
  • Categoria: Gótico
  • Visualizações: 12
  • Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.


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