Fábio Alves Leão

APENAS EU

No quarto quieto, a noite insiste

Em ensinar o corpo a esperar.

O desejo acende, triste,

Como lâmpada que começa a faltar.

 

Ele caminha sozinho na pele,

Bate à porta do sonho e não entra,

É chama que aquece e fere,

É sede que bebe da própria lembrança.

 

Meu toque aprende o teu contorno

Sem jamais te alcançar,

Desenho no ar um retorno

Que o tempo não quer me dar.

 

Entre suspiros guardados no peito,

Sou cais sem barco, mar sem luar;

O desejo, solitário e perfeito,

Ama o que não pode tocar.