No quarto quieto, a noite insiste
Em ensinar o corpo a esperar.
O desejo acende, triste,
Como lâmpada que começa a faltar.
Ele caminha sozinho na pele,
Bate à porta do sonho e não entra,
É chama que aquece e fere,
É sede que bebe da própria lembrança.
Meu toque aprende o teu contorno
Sem jamais te alcançar,
Desenho no ar um retorno
Que o tempo não quer me dar.
Entre suspiros guardados no peito,
Sou cais sem barco, mar sem luar;
O desejo, solitário e perfeito,
Ama o que não pode tocar.