O medo tem a face lisa.
Um relógio parado.
A voz que se confunde com a de outro.
O vento que corta a folha.
Um piano soa onde não há piano.
Um arrepio sem causa.
A luz que não vaza da janela.
O achado que sempre esteve ali.
Ser é o que sobra
quando o talento se cala.
A máscara cai
e a face é o vazio.
A vestimenta é a pele.
Esconder-se é a nudez.
Então, no fundo,
onde tudo desaba,
resta o gesto absurdo
de pular no abismo.
E voar.
Sem asas.
Sem porquê.
Como quem já perdeu tudo,
menos o vício de recomeçar.
A Face do Medo
de Ayalah Verônica Berg
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Autor:
Ayalah Berg (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 25 de setembro de 2026 07:25
- Comentário do autor sobre o poema: "Injustiça e sujeira eles jogam atrás dos solitários; mas, meu irmão, se você quer ser uma estrela, você deve brilhar sobre eles, aconteça o que acontecer." –Friedrich Nietzsche
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 15
- Usuários favoritos deste poema: Ayalah Verônica Berg, Morlock, Michel F.M.

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