Prefiro ser esta sombra.
Meu rosto é meu.
E o que ele esconde,
é a única posse que o deus me deixou.
Eles se reúnem.
O calor de um mesmo pensamento
é o sol deles.
Uma fogueira de cinzas iguais.
Eu trago o frio.
A verdade que em mim é mentira,
tem o cheiro que não coincide.
É minha.
E que venha o silêncio.
O êxtase é isto:
arder sem esperar o dia,
sem alegria,
amando o peso morto do mundo.
No fim, a única revolta possível
é este sorriso.
Não por consolo.
Por estilo.
[de Ayalah Verônica]
Cada pessoa escolhe seu caminho,
seu jeito próprio de caminhar;
há quem prefira viver com pressa,
e há quem goste de contemplar.
Estilo de vida é escolha diária,
é saber o que faz sentido guardar;
menos aparência, mais verdade,
menos correr, mais tempo para amar.
Não existe uma única maneira
de encontrar motivos para sorrir;
cada coração escreve sua história,
com liberdade para escolher e seguir
( Rogério)
Mas a realidade, ser único,
ter pensamento autônomo,
autonomamente, invariavelmente,
ser só eu mesmo…
Na minha indiferença,
da procura da igualdade
me permeabilizo com capa,
que protege minha genuinidade.
Mas arrasta minha existência,
para uma parábola,
que solidifica minha introversão,
que se define pela solidão.
Um sopro de gelo que rasga a penumbra,
na praça onde todos celebram a luz.
O homem que avança e não se desmembra,
no passo soturno que a noite conduz.
Não há comunhão que me venda o sossego:
eu firmo na terra o meu rastro e o niego.
E enquanto o rebanho aplaude a mentira,
eu guardo no peito o meu próprio metal.
A boca não canta a paz que se aspira,
mas ri da coragem de ser desigual.
Deixem que cantem a falsa harmonia:
o abismo é meu trono, e a noite, o meu dia.
( Versos Discreto)
Um quarto, uma sala, apenas um andar,
um lugar onde até a própria sombra aprende a nos observar.
Todos temos um quarto escuro onde a consciência vem repousar,
longe dos olhos do mundo, onde ninguém pode nos julgar.
É nesse quarto que a verdade permanece,
nua e crua, enquanto o resto desaparece.
Sem máscaras, sem luz, sem qualquer véu,
encaramos aquilo que escondemos sob a pele e sob o céu.
Não precisamos da luz,
nem de suas mentiras para ofuscar aquilo que os olhos não querem enxergar;
na escuridão, a verdade encontra um lugar para habitar.
Traçamos nosso próprio caminho em linhas pretas,
sobre abismos, entre nossas próprias veias.
Cada passo é uma escolha, cada queda, uma direção,
cada cicatriz, um mapa gravado na escuridão.
E enquanto caminhamos sem saber onde terminar,
há acima do abismo um céu inteiro a nos observar.
Pequenas estrelas rasgam o manto da escuridão,
próximas o bastante para alimentar a ilusão.
Talvez seja esse o destino daqueles que aceitam se enganar,
Recusar a própria noite e, mesmo assim, continuar a buscar
uma luz que nunca prometeu os salvar.
(Guilherme Rodrigues)
Entre risos escuto uma dança de certezas,
apenas a harmonia das vozes alheias,
percebo a leveza que se abraça à conformidade,
como se a consonância fosse sinônimo de valor.
Mas em meu ser, a luz exerce seu papel,
é no ângulo da sombra que descubro minhas nuances.
Enquanto se espalham aplausos à unidade,
prefiro a singularidade que o medo traz,
mesmo que meu semblante carregue o peso
de um horizonte nublado, mas verdadeiro.
Ser eu, com todo o desconforto da dúvida,
é um abrigo que não prometo para ninguém.
por Morlock
- Autores: Ayalah Berg (Pseudónimo, Rogério, mcmomento, Versos Discretos, Guilherme Rodrigues, Morlock
- Visível: Todos os versos
- Finalizado: 24 de setembro de 2026 20:19
- Limite: 6 estrofes
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