Ah, essa vida previsível,
Onde cada passo parece ensaiado,
Num compasso marcado, previsões no papel,
Como folhas velhas de um calendário dobrado.
Tudo se sabe, tudo se vê,
Como o rio que conhece o próprio leito,
fluindo lento, obediente,
mas sem o furor do mar inquieto.
Até que, sem avisos, chega o vento,
rasgando o céu com seu rigor selvagem.
Ah, mudanças inevitáveis,
Feitas de saudades e coragem.
Como pedras soltas no trilho da vida,
Tombam certezas, rolam destinos;
O tempo tem sua própria sede,
E nenhum de nós escapa ao seu hino.
É o outono do que se foi,
Folhas caindo, dourando o chão.
E o inverno, mudo e denso,
Traz uma quietude em cada estação.
Mas a primavera dança adiante,
Renascendo a esperança com novas cores,
Até o verão brilhar soberano,
como uma vida inteira de amores.
Aceitar as linhas que o tempo borda,
É ver a beleza na ferida e na falha.
Há perfeição nos contornos tortos,
Na cicatriz que o espelho não cala.
Deixa-se moldar por ventos e choques,
sem buscar alívio no feixe do ideal.
Sabe-se agora que a imperfeição,
É onde a beleza se faz real.
E o poeta, nostálgico, lamenta e ri,
de um passado que já não cabe no peito.
Pondera o hoje com um olhar brando,
Sabe que nada é perfeito.
Pois, na previsível dança dos dias,
No vento, na folha, no rastro que passa,
Há um sopro de algo eterno e breve –
A vida, poesia que escorre e se abraça.
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Autor:
kduborges (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 23 de setembro de 2026 16:21
- Comentário do autor sobre o poema: Um pouco de mim, de como eu encaro a vida, o poeta nostálgico, ... "pois nostalgia é a poesia que a saudade escreve na alma quando a memória sente falta de casa."
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4
- Em coleções: kduborges em versos e prosa.

Offline)
Comentários1
Para aqueles que têm na poesia e nos versos uma fuga, o escape de si mesmo.
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