Era sábado, a garoa caía,
bem leve, molhando a calçada,
e eu fui ao BarCana tranquilo,
sem pressa, sem hora marcada.
Ali estava a Rose, proprietária,
dona daquele cantinho acolhedor,
e entre conversa, risada e lembrança,
a noite ganhava seu próprio sabor.
Uma garrafinha de catuaba
ia chegando ao seu ponto final,
enquanto a chuva, mansinha,
deixava mais bonito o temporal.
Não era noite de grandes planos,
nem de procurar explicação;
era apenas viver aquele instante,
com simplicidade e satisfação.
A vida talvez seja justamente isso:
saber o momento de chegar e partir;
ficar quando existe vontade,
e ir embora quando é hora de dormir.
Porque eu tenho pousada, tenho trabalho,
e a manhã não espera ninguém:
quatro e meia já estou de pé,
fazendo o café para quem vem.
Enquanto muita gente ainda dorme,
eu já começo o meu dia a cuidar:
dos quartos, da casa, dos hóspedes,
e de tudo que precisa funcionar.
Então terminei minha catuaba,
dei boa-noite e fui embora,
não porque a noite estivesse ruim,
mas porque o descanso também tem sua hora.
E enquanto a chuva caía lá fora,
eu voltava pensando, talvez,
que a vida não precisa de luxo
para oferecer beleza e prazer.
Às vezes basta uma mesa,
uma conversa e uma amizade,
uma garrafinha quase vazia
e um pouco de chuva na cidade.
Felicidade não precisa de ocasião:
ela aparece nas coisas pequenas,
quando a gente presta atenção...
Sandro Paschoal Nogueira
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Autor:
Sandro Paschoal Nogueira (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 22 de setembro de 2026 15:33
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 1

Offline)
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