Sandro Paschoal Nogueira

Rose

Era sábado, a garoa caía,
bem leve, molhando a calçada,
e eu fui ao BarCana tranquilo,
sem pressa, sem hora marcada.

Ali estava a Rose, proprietária,
dona daquele cantinho acolhedor,
e entre conversa, risada e lembrança,
a noite ganhava seu próprio sabor.

Uma garrafinha de catuaba
ia chegando ao seu ponto final,
enquanto a chuva, mansinha,
deixava mais bonito o temporal.

Não era noite de grandes planos,
nem de procurar explicação;
era apenas viver aquele instante,
com simplicidade e satisfação.

A vida talvez seja justamente isso:
saber o momento de chegar e partir;
ficar quando existe vontade,
e ir embora quando é hora de dormir.

Porque eu tenho pousada, tenho trabalho,
e a manhã não espera ninguém:
quatro e meia já estou de pé,
fazendo o café para quem vem.

Enquanto muita gente ainda dorme,
eu já começo o meu dia a cuidar:
dos quartos, da casa, dos hóspedes,
e de tudo que precisa funcionar.

Então terminei minha catuaba,
dei boa-noite e fui embora,
não porque a noite estivesse ruim,
mas porque o descanso também tem sua hora.

E enquanto a chuva caía lá fora,
eu voltava pensando, talvez,
que a vida não precisa de luxo
para oferecer beleza e prazer.

Às vezes basta uma mesa,
uma conversa e uma amizade,
uma garrafinha quase vazia
e um pouco de chuva na cidade.

Felicidade não precisa de ocasião:
ela aparece nas coisas pequenas,
quando a gente presta atenção...

Sandro Paschoal Nogueira