ENTROPIA
De hoje em diante,
tenho de ser eu mesmo.
Não vou mais clamar
por esperança.
Meu horizonte está ali:
impassível, imóvel,
onde a fé se esconde
em busca de socorro.
Estou só,
assim como
nasci,
cresci
e vim a envelhecer.
Solitário qual pedra
entre pedregulhos,
com a sua dor.
Cada qual tem a sua.
Quem pode sentir pelo outro?
Que gota d'água substitui a outra,
ainda que não se desfaça na aridez?
Meu pulsar,
o respirar,
o chorar
são lágrimas minhas
para a sede da alma.
Meu corpo, desarranjo derradeiro:
é minha entropia
–o fogo a extinguir-se
na dança dolorida das chamas.
Onde se encontra a eutanásia?
Dormitar em silêncio
na eternidade.
Quisera não ser fraco.
Porque sou medroso,
afinal, no fim da vida.
Eu tenho medo.
Tangará da Serra,19/09/2026.
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Autor:
Maximiliano Skol (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 21 de setembro de 2026 19:12
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 7
- Usuários favoritos deste poema: Ayalah Verônica Berg

Offline)
Comentários1
Que poema lindo, honesto e melancólico, com uma carga existencial muito forte. Ele conseguiu me transmitir uma sensação de desamparo que me tocou pela crueza da exposição. Adorei o tom confessional do poema... é envolvente, e o final o coloca no campo da reflexão filosófica. Amei... sublime!
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