ENTROPIA
De hoje em diante,
tenho de ser eu mesmo.
Não vou mais clamar
por esperança.
Meu horizonte está ali:
impassível, imóvel,
onde a fé se esconde
em busca de socorro.
Estou só,
assim como
nasci,
cresci
e vim a envelhecer.
Solitário qual pedra
entre pedregulhos,
com a sua dor.
Cada qual tem a sua.
Quem pode sentir pelo outro?
Que gota d\'água substitui a outra,
ainda que não se desfaça na aridez?
Meu pulsar,
o respirar,
o chorar
são lágrimas minhas
para a sede da alma.
Meu corpo, desarranjo derradeiro:
é minha entropia
–o fogo a extinguir-se
na dança dolorida das chamas.
Onde se encontra a eutanásia?
Dormitar em silêncio
na eternidade.
Quisera não ser fraco.
Porque sou medroso,
afinal, no fim da vida.
Eu tenho medo.
Tangará da Serra,19/09/2026.