Versenário

Michel F.M.


Nunca entendi nada sobre o amor.
Existe um senso-comum,
De que poetas são investigadores
Da alma humana e de tuas
Mazelas, é tudo besteira.
Não dominamos nenhum
Saber profundo e misterioso,
Que abarque as incertezas
Insuportáveis e contemple os
Segredos remotos de eras perdidas.
Nunca consegui expressar
O que sinto, mesmo tendo escrito
Milhares de poemas,
Nem sempre a prática
Leva à perfeição.
Talvez eu tenha errado na técnica,
Ou o conteúdo disso tudo,
Seja tão subjetivo, que nem mesmo
Os maiores desbravadores do
Abstrato, possuem as competências
Para concretizar, aquilo que já nasceu
Paradoxalmente, munido
De consistência e desprovido
De solidez, condenado a ser intocável.
[Michel F.M.]


Mas o que sinto não precisa de palavra perfeita,
não tem técnica que meça o que o peito deita.
A alma não segue regra, não tem forma nem cor,
é só verdade, é só vida, é só amor.
Escrevo não pra ser perfeito, mas pra ser verdadeiro,
com cada verso meu coração é o primeiro.
Se não sei explicar o que há de mais profundo,
é porque o sentimento é maior que o mundo.
Não importa se não encontro a palavra certa,
o que vem do coração sempre desperta.
A alma fala mais alto, sem precisar dizer —
sente, vive, ama... e isso é tudo, pode crer.
— Milton da Poesia ???



Moldura Universal
No universo o tempo repousa,
O poeta busca a antiga chama;
A alma da poesia a noite pousa,
Em canto, uma saudade clama.
No silêncio do atelier se ousa
Pintar o verso que nos inflama,
Força da ode heróica na lousa,
A elegia de quem chora e ama.
Dá vida ao poema em tela viva,
E a doce trova se faz moldura
Dessa oficina sacra e criativa.
Próximo soneto e sua estrutura,
A essência que a memória ativa,
Na arte e tempo com formosura.
Por Dodge Leal


O poeta não investiga nada.
Vive o que a essência canta.
Sentimentos o inundam
e rompem inúmeras barreiras.
Seu olhar exprime
o óbvio que outros não veem.
Na ponta dos dedos
a palavra pulsa antes de virar luz.
O poeta hesita: expor seu íntimo
é um vôo sem retorno.
E se a alma sangra,
o próprio desamparo vira refúgio.
Ser poeta é isto: esculpir o silêncio
e dar corpo ao mistério.
(Leide Freitas)


Poetas são filósofos do abstrato.
Vivemos de perguntas,
de curiosidades,
de abismos que parecem respostas
quando olhados de longe.
Não temos certezas prontas.
Expressamos o que sentimos
da maneira que conseguimos compreender,
mesmo quando compreender
é justamente aquilo que não conseguimos.
E nem sempre somos coerentes.
Há dias em que acreditamos em uma coisa,
e, no dia seguinte,
já não reconhecemos a pessoa
que escreveu aquilo ontem.
É um eterno errar e acertar,
um movimento quase circular
entre a dúvida e a descoberta,
entre a fantasia e o real.
Talvez por isso o poeta busque o platonismo:
essa necessidade de acreditar
que existe algo além da matéria,
algo que não precisa ser explicado
para ser sentido.
O inexplicável encontra abrigo
onde a razão não alcança.
O corpo libera seus hormônios.
O coração acelera.
O peito aperta.
E alguma coisa dentro de nós grita:
é amor.
Então o poeta acredita.
Acredita porque sente o coração
funcionando a todo vapor,
como se a intensidade de uma sensação
fosse prova da profundidade de um sentimento.
Mas, às vezes,
o coração não está amando.
Está doendo.
É rejeição.
É ausência.
É expectativa.
É desejo sem resposta.
É a fantasia tentando sobreviver
diante de uma realidade que não a sustenta.
E talvez seja justamente aí
que nasçam as poesias mais bonitas:
não no instante em que amamos,
mas naquele em que despertamos da ilusão.
Porque enquanto acreditamos,
vivemos a história.
Quando despertamos,
compreendemos o poema.
Thais Almeida - 19/09/2026
Nota da poetisa: viver o platonismo não significa amá-lo, é completamente inerente aos corações mais sensíveis...


Ah... Os poetas, quem são afinal? Deuses gregos? Seres mitológicos? Ou pior... humanos?
Certa vez, conheci um. Era astuto e sempre negava em voz alta. Negava o amor, a vida, a felicidade... Nunca entendi a razão desses atos.
Ora, não são eles quem mais sentem?
São hipócritas, afinal? Pois o que dizem em alto som é contrário ao que escrevem em silêncio.
Já li sobre o amor, sobre perdas e até sobre decisões mal feitas.
Então, por que negas?
Poetas sentem medo? Poetas sentem alguma coisa verdadeiramente?
Que raça intrigante!
Ora sofre por amor, e logo escreve sobre a importância do mesmo.


Ainda que as flores atraem as abelhas para nelas vida fazer
O mar quebra suas ondas na areia da praia para esplendoroso assim ser
Vendo o Sol que irradia calor para amanhecer o dia, dando vez a Lua para iluminar a noite
Vemos os poetas expandindo a alma para com letras escrever
São sentidos, sentimentos, emoções e instintos os levando à inspiração
Versos pensados e inventados trazidos da vida em compasso alegre ou triste
Letras que formam palavras fazendo compreender as nuances do coração
Claudio Reis


Poetas são aqueles que mergulham dentro de si,
que refletem sobre aquilo que são
e sobre quem desejam se tornar,
buscando, no silêncio, suas próprias respostas,
sentindo com o próprio coração
aquilo que não conseguem expressar.
Não aceitam o convencional,
preferem perder-se no caminho
a possuir todas as respostas,
pois é justamente nessa busca,
registrada em palavras,
que escrevem sua própria história.
São a metamorfose da vida
cheios de reviravoltas,
às vezes não fazem sentido,
e outras, parecem desequilibrados à solta,
mas sempre transformam o que sentem em versos
e fazem da própria existência sua nova estrofe.
Sentem profundamente cada emoção,
pensam e refletem com imensa paixão,
procuram significado em cada palavra,
e são autênticos, à sua própria maneira,
naquilo que colocam sobre o papel.
Uma única palavra não é suficiente para revelar quem são:
introspectivos,
criativos,
alucinados,
sonhadores...
e por aí eles vão.
Mas são eles que encontram nos versos
uma maneira de finalmente respirar.
como se, ao escreverem aquilo que sentem,
pudessem, enfim, existir sem precisar se explicar.
(Guilherme Rodrigues)


O que aprendi sobre o amor
Começou com a dor
Provocada por mim
Por rejeitar o que não queria sentir.
Ao compreender o que ocorria
Com calma permiti
Sentir o que estava alí
Gritando dentro de mim.
Então ele se acalmou
E o amor me inundou
Meu mundo se equilibrou
E a espiritualidade o moldou.
Passando a ser incondicional
Eliminando toda dor
O segredo é deixar expandir
Sem precisar restituir.
A poesia é uma forma
Que ele pode se materializar
Encantando quem o procura
Mas para alguns
Pode ser visto como loucura
Esse é o amor que vivo
E quero apresentar.


Há um segredo trancado no fundo do mar,
Que a caneta do poeta consegue alcançar.
São dores antigas, mistérios guardados,
Que em versos de luz são enfim libertados.
No abismo mais escuro de um oceano sem fim,
A sensibilidade faz brotar um jardim.
O peito comprime com o peso do mundo,
Mas a rima resgata o amor mais profundo.
O que era mistério, angústia ou clamor,
Transborda no papel como um canto de amor.
A força das águas que tenta afogar,
Vira brisa leve ao te ver poetizar.
O que estava submerso na escuridão,
Ganha asas e vida em sua própria mão,
Curando as marcas de um só coração.


Os poetas têm poderes mágicos.
Transformam sentimentos em palavras, palavras em textos que acolhem e versos capazes de aquecer até os corações mais frios.
Talvez porque enxerguem poesia onde quase ninguém olha.
Talvez porque mergulhem no mundo como quem mergulha no oceano, sempre encontrando alguma coisa escondida nas profundezas.
Às vezes ficam meio loucos, meio doidos, talvez.
Mas só o suficiente para conversar com as estrelas, fazer confidências à lua, encontrar beleza num céu cinza e descobrir poesia até onde ninguém mais procurou.
No fim, ser poeta é carregar um oceano inteiro por dentro
e, ainda assim, encontrar palavras para fazer suas profundezas
chegarem à superfície.
- Tória


No centro exato do que não se vê,Existe um reino de eterno luar,Onde a palavra é o que nos mantém de péE a poesia é o ar para respirar.Chama-se Versenário esse lugar,Um santuário feito de papel,Onde as estrofes começam a bailarSob as estrelas de um imenso céu.Lá moram rimas que ninguém propôs,Metáforas que o tempo não gastou,O verso livre que se fez depoisE a velha trova que o cantor guardou.Nas prateleiras feitas de cristal,Estão os livros que ninguém escreveu,Cada soneto ganha um tom realNo manuscrito que jamais morreu.O vento sopra e espalha o refrão,Que viaja o mundo sem pedir licença,Vai se abrigar no peito e no coraçãoDe quem na força da palavra pensa.Há uma fonte que jorra o luar,Onde a tinta dourada é elemento,Onde os poetas vão se batizarPara curar a dor do sentimento.Nesse castelo que o silêncio faz,Cada rima consoante tem seu trono,A rima rica traz a eterna paz,A rima pobre perde logo o sono.As consoantes correm pelo chão,As vogais voam como passarinho,E quando juntas dão as mãos, então,Nasce um poema no meio do caminho.O Versenário dita a pulsaçãoDe toda vida que na Terra habita,Pois antes mesmo de haver criação,Houve a palavra que no caos grita.Quem entra lá não quer mais retornar,Fica preso no laço da cadência,Aprende a arte de apenas amarE a ver o mundo em sua sutil essência.Há um guardião que cuida do portal,Feito de rimas raras e secretas,Ele protege o brilho divinalQue dá o dom da vida aos poetas.Se a folha em branco te causar temor,Pensa na força que esse reino traz,O Versenário cura qualquer dorE transforma a angústia em plena paz.Lá não existe o peso da razão,Tudo é moldado pelo sentimento,A lógica se curva à intuiçãoE a fantasia vence o sofrimento.As estrofes que colhi por lá,Eu trouxe escritas na minha memória,Para que o mundo possa celebrarA poesia viva desta história.E quando a noite enfim descer o véu,Olha pro alto e busca o teu erário:Verás que a Terra repousa sob o céu,E a própria vida é um Versenário.


E se o silêncio esconder a canção,
Que a alma encontre estrelas no caminho,
Pois cada sonho nasce do coração
E nunca floresce quem vive sozinho.
(MAISA NALAPE)


O amor é genético,
O amor é frenético,
O amor é patético!
O amor não existe,
Ele apenas persiste
Em ser louco e ser triste.
O amor na verdade
É uma ansiedade
De querer ser verdade.
É uma coisa lá dentro,
Um instante, um momento,
Um vapor ou um vento
Que apenas ilude
Numa falsa atitude,
Numa falsa altitude
De algo tão impossível,
Tão tristonho e risível
De uma inexistência incrível.
Mas consegue subir
Enganando o sentir,
Afogando-nos ao partir...
Portanto, não adianta
Ser quem se cala ou quem canta,
Ser instável ou ser estático,
Pois o amor não reconhece
Nenhum pranto - nem uma prece!
O amor é pragmático.
Irreal e insensível,
Opressor e invisível,
Inútil, fútil e incrível!
Frustra ser infactível...
G. MIRABEAU



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