Coisas que já se vão bem longe...

Apegaua

Já faz um tempinho.

E como faz.

Sentado na varanda pitando um cigarro de palha.

E lembrando da mocidade.

Eita trem bom.

Moleque esperto que nunca empacou no caminho.

Não podia ver um rabo de saia.

Que logo ficava indócil.

Igualzinho a um cavalo baio.

Corcoveava para todos os lados.

Chegando no final.

Ficando mansinho como um burro manco.

Eita tempo bom.

Se não pensarmos o danado volta mais não.

E não e que ao me relembrar me vem a vontade de gritar.

Muié trás o remédio para eu não esquecer.

A hora avança.

E o dia se faz grande.

E eu aqui sem nem saber em fazer o que.

Mas que é bom é sô.

Proseando sem ninguém por perto a nos escutar.

Parece inté que somos alguém...

Apegaua

  • Autor: Apegaua (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 18 de setembro de 2026 13:19
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4
  • Usuários favoritos deste poema: Queiroz Francisco
Comentários +

Comentários1

  • Queiroz Francisco

    E se vão, fica na memória de quem soube prestar atenção, hoje em dia o povo só vê pela tela brilhante, de que vão lembrar?

    Teu poema como sempre representa você...

    Abraços pros amigos

    • Apegaua

      Vigi sô, toma cuidado amigo Francisco, Antigamente, se falava que as paredes tem ouvido.
      Hoje, são as câmeras, que a tudo escuta e a tudo vê.
      Obrigado pelo comentário.
      Abraço grande dos daqui.
      Apegaua



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