O Silêncio do Mundo
Naquela manhã de um dia qualquer,
O vento soprou sem pressa ou destino,
O homem esqueceu o que tanto quer,
E o tempo travou seu passo divino.
As grandes cidades traçadas em aço,
Calaram os motores, a fúria, a buzina,
O passo apressado virou um abraço,
Na calha deserta da velha esquina.
As fábricas mudas, as telas escuras,
Nenhum avião rasgando o azul,
Cessaram as guerras, as vãs desventuras,
Do norte distante até o extremo sul.
A Terra parou e o bicho-humano,
Olhou para o lado e viu seu igual,
Descobriu que o ouro do mundo profano,
Não compra o sopro do sopor vital.
O rio correu com águas mais claras,
O bicho da mata voltou a cantar,
Lembrando os homens de coisas tão raras:
Que a vida é o tempo de apenas amar.
Foi só um segundo de pausa e espanto,
Um susto profundo na engrenagem do chão,
E quando o planeta seguiu seu encanto,
O homem já tinha outra pulsação.
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Autor:
GINO (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 18 de setembro de 2026 05:29
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 11
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M., Vilma Oliveira

Offline)
Comentários2
Bela imagem, poeta. Muita inspiração!
Um abraço
Verdade, amigo! Obrigado pela leitura!!!
Boa noite Poeta! O Silêncio do Mundo é uma obra reflexiva e humanista que aborda o impacto de uma pausa global hipotética — remetendo visualmente aos cenários de isolamento que a humanidade já experimentou — sobre o comportamento e os valores humanos. O texto se constrói a partir de um forte contraste entre o ritmo frenético da modernidade e o poder regenerador da quietude. Nas primeiras estrofes, o autor descreve a interrupção abrupta da rotina urbana. Cidades de aço silenciam seus motores, fábricas param e telas se apagam, transformando a pressa cotidiana em gestos de conexão, como um abraço na esquina deserta. Com a trégua da atividade industrial e humana, o meio ambiente reage imediatamente. As águas dos rios clareiam e os animais voltam a cantar, evidenciando o impacto predatório do homem e a capacidade de cura do planeta. O ponto central do poema reside na percepção da fragilidade humana diante da vida. Ao olhar para o lado, reconhece sua igualdade perante o outro e compreende que a riqueza material não pode comprar a existência ou a saúde. O desfecho mostra que, embora a pausa tenha sido breve, o retorno à normalidade não encontra o homem no mesmo estado anterior. A experiência deixa uma marca permanente, alterando sua pulsação e prioridades para focar no que realmente importa. Com uma estrutura rítmica fluida e rimas bem marcadas, o poema funciona como uma fábula contemporânea e um manifesto de esperança por um mundo mais consciente, empático e integrado à natureza. Meus parabéns! Meu abraço poético.
Muitíssimo, obrigado pelo comentário, poetisa! Abraço fraterno!!!
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