Gino, Sinvaldo de Souza

O SilĂȘncio do Mundo

O Silêncio do Mundo

 

Naquela manhã de um dia qualquer,

O vento soprou sem pressa ou destino,

O homem esqueceu o que tanto quer,

E o tempo travou seu passo divino.

 

As grandes cidades traçadas em aço,

Calaram os motores, a fúria, a buzina,

O passo apressado virou um abraço,

Na calha deserta da velha esquina.

 

As fábricas mudas, as telas escuras,

Nenhum avião rasgando o azul,

Cessaram as guerras, as vãs desventuras,

Do norte distante até o extremo sul.

 

A Terra parou e o bicho-humano,

Olhou para o lado e viu seu igual,

Descobriu que o ouro do mundo profano,

Não compra o sopro do sopor vital.

 

O rio correu com águas mais claras,

O bicho da mata voltou a cantar,

Lembrando os homens de coisas tão raras:

Que a vida é o tempo de apenas amar.

 

Foi só um segundo de pausa e espanto,

Um susto profundo na engrenagem do chão,

E quando o planeta seguiu seu encanto,

O homem já tinha outra pulsação.