O PERPÉTUO HINO DA VIDA

Maximiliano Skol

Não quero morrer.
Não...
Quero continuar triste,
e viver eternamente.
Mesmo  como estou agora,
com este céu azul desnudo.
Esta abóboda–esta bolha
com seu silêncio.
Sua  brisa mal me toca
sua temperatura  me abrasa.
Sentir o enfado da vida,
mesmo sofrendo,
com o desmanchar dos ossos.
Não me importa a depressão,
 com o claro do dia e a sua sombra:
na mesmice.
Importa-me viver– sempre.
E continuar neste planeta,
tão só, na imensidão cósmica.
Aceito ser eu mesmo.
Que os deuses, se os há,
não me permitam
ultrapassar o horizonte 
do buraco negro da morte.
Viver – sempre – e esquecer a sepultura,
–a lenta deterioração.
Quero esta bolha azul
sempre a me envolver
e nela
o voo célere dos passarinhos,
o planar  sereno dos urubus.
E ouvir
o perpétuo hino da vida,
na imensa escuridão do meu ser.

 

Tangará da Serra, 14/09/2026.

Comentários +

Comentários5

  • Queiroz Francisco

    Caríssimo, é um dos mais belos poemas que já tive a feliz oportunidade de ler por aqui! Uma verdadeira ode ao viver, que conserve sempre o espírito jovem, assim o tempo não lhe poderá tirar nada.

    Aplausos, um abraço fraterno...

    • Maximiliano Skol

      AMÉM, meu prezado amigo Francisco.
      Gratidão pelo sua calorosa visita.
      Acertado fraternal abraço.

    • Ayalah Verônica Berg

      Uau, adorei o poema... ele recusa a transcendência e abraça o absurdo com uma teimosia quase sagrada.
      Há uma lucidez cruel aqui: preferir o sofrimento eterno à paz do nada.
      É Camus vestido de Baudelaire, rezando para um céu vazio... e sendo ouvido por ele.

      • Maximiliano Skol

        Gratidão, querida Ayalah Verônica, pelo seu erudito comentário.
        Afetuoso abraço, minha amiga, lá do sul.

        • Ayalah Verônica Berg

          É uma honra para mim receber a sua resposta... enfim, encontrei um poeta à altura dos mestres. Sua poesia foi a melhor que li aqui e já está me influenciando. Obrigada por compartilhar.

        • Nelson de Medeiros

          Ave, Grande poeta! O bardo, aqui, volta e te saúda! 1 ab

          • Maximiliano Skol

            Olá, meu prezado e inesquecível Nelson Medeiros. Saudades, ilustre bardo.
            Apertado abraço.

          • Maximiliano Skol

            Gratidão, prezado Michel F.M., por favoritar o poema. É um imenso prazer tê-lo como amigo.
            Grande abraço.

          • Maria do Socorro Domingos

            Meu caro amigo poeta Maximiliano, a vida é um eterno poema de amor!
            E nós, que recebemos de Deus o dom de versejar, somos privilegiados,!
            Eu vim aqui lhe deixar o meu sincero e carinhoso abraço e estou voltando com a alma inebriada de poesia!
            Vivamos o hoje! O amanhã será um novo dia, um novo verso a compor esse belo poema, cujo nome é vida!
            Grande abraço.

            • Maximiliano Skol

              Você, amiga Maria, me faz feliz com a sua tão carinhosa visita, como sempre acontece ao oferecer-me seus comentários.
              Gratidão, minha querida.
              Afetuoso abraço.



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