Não quero morrer.
Não...
Quero continuar triste,
e viver eternamente.
Mesmo como estou agora,
com este céu azul desnudo.
Esta abóboda–esta bolha
com seu silêncio.
Sua brisa mal me toca
sua temperatura me abrasa.
Sentir o enfado da vida,
mesmo sofrendo,
com o desmanchar dos ossos.
Não me importa a depressão,
com o claro do dia e a sua sombra:
na mesmice.
Importa-me viver– sempre.
E continuar neste planeta,
tão só, na imensidão cósmica.
Aceito ser eu mesmo.
Que os deuses, se os há,
não me permitam
ultrapassar o horizonte
do buraco negro da morte.
Viver – sempre – e esquecer a sepultura,
–a lenta deterioração.
Quero esta bolha azul
sempre a me envolver
e nela
o voo célere dos passarinhos,
o planar sereno dos urubus.
E ouvir
o perpétuo hino da vida,
na imensa escuridão do meu ser.
Tangará da Serra, 14/09/2026.