País das Maravilhas - A Carta de um Analfabeto Emocional

Miguel Espinoso

Vivo eu comigo mesmo, em meu país das maravilhas,

onde o dia começa quando o sol repousa em berço 

esplêndido.

 

Canto em completo silêncio;

só há espaço para mim e meu

lamento.

 

Até sei ler e escrever, mas quando

se trata de abrir a boca para dizer

aquelas três palavras, torno-me

analfabeto emocional. 

 

Sou aquela criança solitária

que brinca consigo mesma.

Sou aquele amante solitário, apaixonado

pela lua - distante do seu amor, embora tanto

ame.

 

Sou um homem deslocado, meu próprio

advogado, defendendo um cliente tolo

e excêntrico; as vezes diabo.

 

Sou cativo das minhas próprias palavras;

Verbalmente articulado, emocionalmente gago.

 

Vivo em um ermo rude e elementar, quase que por ofício.

Escrevo cartas em que eu sou remetente e destinatário 

 

Sou caça e presa; leão e lebre

poeta e poesia; efêmero amor, duradouro

rugido de dor

 

Sou aquele que persegue, e o que tem fugido.

Monto para mim mesmo minhas próprias

armadilhas, em meu país das maravilhas.

 

  • Autor: Miguel Espinoso (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 14 de setembro de 2026 20:21
  • Categoria: Triste
  • Visualizações: 6
Comentários +

Comentários1

  • jroberto.bsb

    Parabéns! Belo e atual em suas palavras. Também sinto eu comigo.



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