Utopia em fiapos

Michel F.M.


só há uma coisa
que eu queria,
mas o que queremos,
no final das
contas
não importa.
ser mais solidário
hoje,
do que fui ontem.
nem que fosse
obrigado, a ser egoísta
comigo mesmo.
ser mais solidário
amanhã,
do que já fui um dia.
[Michel F.M.]


de fato a vida me arrepia
fico olhando para tudo isso
com um misto de tristeza e alegria
enquanto me entrego solidário
mais solitário eu fico
e se é essa a condição
aceito e sigo


que eu saiba dar,
mesmo quando me faltar,
porque quanto mais me entrego,
mais sozinho me encontro,
e ainda assim, sigo.


E engraçado quando me pego a pensar que em vez de mim.
Acho que foi a vida que passou.
E aquele menino, alegre e sorridente, que era feliz jogando amarelinha, chutando latas e brincando de bandeirinha.
De uma hora para outro, ficou carrancudo e insolente.
Com uma chuva de responsabilidade a lhe cutucar.
Perdeu a graça, agora só coloca sorriso nos cantos da boca e mesmo assim irônico.
Bandida de vida.
Que se pudesse trocava.
Um adulto por um menino.
Só para escancarar na boca.
Uma gostosa de uma risada.
Apegaua


O que seria a vida afinal?
Um êxtase de alegria, de dor?
Um momento dentro um tempo?
Um doce beijo, mas amargo no final?
Talvez seja uma estranha ficção,
Uma utopia de mistérios.
Não é a vida mais que um mero sonho,
E os sonhos, ah os sonhos .. apenas sonhos são.


Tudo passou depressa
se eu vivi os bons momentos
com intensidade eu consegui
aproveitar cada instante
e aprender com os erros.
O ontem fugiu das mãos
o amanhã está por vir
o ontem foi o alicerce
para o amanhã existir.


Talvez eu só tenha aprendido
a ser solidário com a vida,
mesmo quando ela me ensinou
a ser solitário comigo.
Dou o que posso,
carrego o que falta,
e enquanto o menino em mim
ainda procura uma amarelinha,
o adulto segue,
com um sorriso torto no rosto,
tentando entender
se viver é isso:
perder um pouco de si
a cada dia
e ainda assim continuar.
Isabelly.B


Aprender a ficar.
Cuidar dos detalhes.
Valorizar o simples.
Ouvir com calma.
Escolher o que importa.
Fazer do pouco, muito.
Recomeçar sem medo.
Celebrar cada conquista.
Crescer sem se perder.
E tornar a vida mais bonita.


Solidário, quero sempre poder ser
Dividir bens e sentidos
Empenhar-me entre a razão e o desejo de ter
Há mais alegria em quem se doa, do que em quem tem recebido
Ser solidário dá a vida novo sentido...
Ema Machado


Do que adianta amenizar sem Salvar, prolongar sem dar Fim.
Em um Mundo distópico Almas miseráveis não podem ser Salvas por moedas de Falsa Esperança.
O que compramos com isso é a ausência de preocupação vindoura do bem que achamos que fizemos.
Nossos gestos fúteis são mascarados pela Ilusão da Bondade.
O que fazemos é levantar Mortos que voltarão a Cair.
Não há Salvação, o que há é uma segunda chance, e o que podemos oferecer.
É a luz de uma utopia que não se vê chegar.


Utopia é o fio que nos guia,
Tão fino, quase invisível ao olhar,
Mas segura firme o coração,
Quando o mundo parece desabar.
É um tecido feito de sonhos,
Cada passo um ponto a mais,
Não importa o quão distante pareça,
A esperança nunca se desfaz.
Cada um segura uma ponta,
Juntos vamos tecendo o caminho,
Onde o impossível ganha forma,
E a alegria volta a ter lugarzinho.
Mesmo que o fio pareça frágil,
Resiste ao vento, resiste à dor,
Porque é tecido com pura fé,
E entrelaçado com muito amor.
Utopia não é um lugar distante,
É o que carregamos por dentro,
É a luz que não se apaga nunca,
É o nosso maior e mais belo alento.
— Milton da Costa ????


Pela estrada, onde fingia saber a direção,
encontrei fiapos dourados, como caídos do sol.
Os enfiava no saco e seguia, seguia, seguia,
pensando que no fim encontraria um lugar para mim:
essa tal de utopia.
No fim das contas, cheguei a uma estalagem,
os fiapos eram apenas feno.
Chorando o dono me encontrou, me alimentou.
Foi-me oferecido o cocho,
e lá deitei a cabeça sobre o saco de fiapos de feno,
ao qual carinhosamente apelidei de utopia.
Hoje sou dono da estalagem, herdei-a.
Casei-me com a filha do falecido estalajadeiro,
os filhos brincam por aí, minha esposa faz perfumes,
e eu, no fim da tarde, tiro um belo cochilo deitado
sobre a minha utopia.
Isso quando não tenho que apartar alguma briga,
malditos viajantes bêbados,
não respeitam a hora da utopia alheia.
(Francisco Queiroz)


Fios invisíveis que insistimos em conectar,
delicados e prateados, são eles que nos fazem continuar.
Não precisamos de palavras para desenrolar o carretel,
basta um gesto, um toque, um olhar,
e os fios encontram caminhos que a voz jamais saberia traçar.
Pois navegamos pelo mundo através da gentileza,
em pequenos gestos, em ações que procuram amenizar.
Carregamos a utopia de um mundo em que insistimos acreditar,
pois, sem ela, tememos aquilo que o amanhã poderá nos revelar,
e então seguimos sozinhos por essa utopia,
por essa estrada sinuosa que escolhemos atravessar,
entre a solidariedade e a solidão,
entre a utopia e a ilusão,
entre o desejo de mudar e o peso da dissolução,
nunca deixaremos de nos conectar ao silêncio da resignação.
(Guilherme Rodrigues)


Queria ter uma vida simples,
onde os pássaros cantassem
em minha janela,
e esse desfrutar fosse pleno.
Como desejava andar por aí,
sem me importar com coisa alguma,
muito menos com um destino.
Se pudesse ser uma andarilha,
uma nômade, uma viajante,
desprendida de tudo e de todos.
Mas a vida real me cobra,
não me deixa em paz,
nem me dá férias.
De fato, é possível desligar-se
e respirar livremente,
sem o peso de um amanhã?
A liberdade é mesmo possível,
ou é uma ideia que criamos
só para não enlouquecermos?
(Ymaira Von)


E sigo, mesmo sem saber o destino,
carregando sonhos que o mundo chama de utopia.
Aprendi que ser inteiro também é se doar,
mesmo quando alguma parte de nós se esvazia.
Talvez a vida não seja encontrar um lugar perfeito,
mas construir, entre quedas e recomeços,
um pequeno lugar de paz dentro da própria alma.
-Junior Silva

Comentários +

Comentários3

  • Apegaua

    Parabéns aos participantes, até agora esta porreta.
    Com cada poeta, puxando a brasa para sua sardinha.
    Vamos a ver no final, depois da pesagem, quem foi que engordou.
    Risos.
    Abraços a todos dos daqui.
    Apegaua.

  • FELÍCITY_POETA

    Um fio de luz rasga o horizonte escuro,
    Tecendo o tempo em fios de esperança.
    A utopia não é um sonho futuro,
    É a urgência do que a alma alcança.
    Em cada fiação de ferro e de sonho,
    Montam-se pontes onde havia abismo.
    O caos do mundo, áspero e medonho,
    Cede lugar a um novo realismo.
    Fiapos soltos de antigas utopias
    Juntam-se agora em teias de justiça.
    Acabam os invernos e as agonias,
    Desperta a força que o bem cobiça.
    A técnica e a arte dão as mãos na praça,
    O trabalho humano é livre e criativo.
    Cada engrenagem pulsa com graça,
    Onde o bem comum é o único motivo.
    Não há fronteiras que o afeto não cruze,
    Nenhum olhar se perde no vazio.
    A ciência clara é a estrela que luze,
    Aquecendo a terra num abraço macio.
    As cidades respiram em verde e calma,
    Torres de vidro abraçadas por matas.
    A paz externa é o espelho da alma,
    Onde as dores antigas já são exatas.
    A educação é a base e a semente,
    Que brota igual para toda a infância.
    O saber liberta e acende a mente,
    Reduzindo a pó toda a intolerância.
    Em fios sutis de fibra e de vidro,
    Conecta-se o mundo sem dono ou patrão.
    Cada cidadão é um livro querido,
    Escrevendo livre a sua canção.
    A economia mede a riqueza em sorrisos,
    Na vida salva e no pão partilhado.
    Caem por terra os velhos juízos
    De quem vivia do alheio pecado.
    A saúde é porto, o teto é certeza,
    Ninguém caminha desamparado ao léu.
    A humanidade compreende a natureza,
    Fazendo da terra um pedaço do céu.
    Os fiapos se unem num tecido forte,
    Uma bandeira de paz sem cor ou brasão.
    Não há leste ou oeste, sul ou norte,
    A pátria inteira é o nosso coração.
    O trabalho é um dom que dignifica,
    Onde a máquina serve e o homem cria.
    A vida humana se eleva e purifica,
    No eterno ritmo de uma sinfonia.
    E se o fio ameaça romper-se por transe,
    Logo a comunidade o reata com esmero.
    O futuro não é obra do acaso ou lance,
    É o presente feito de um norte sincero.
    Assim se tece a utopia em pedaços,
    Fios de esperança que o vento não leva.
    Construída a mãos dadas e em passos,
    Onde a aurora vence de vez a treva.
    O manto está pronto, a aurora desponta,
    Profissional, lúcida, feita de amor.
    Cada vivente agora faz sua conta,
    O mundo é livre de toda a dor.
    Felicity_poeta

    • Apegaua

      Bravos poetisa.
      Nossa eu pensei que já tinha lido tudo, fui pego de surpresa por sua inteligente e bela declaração.
      Ai, pensei e pensei e cheguei a seguinte conclusão.
      Se tiver um tico de direito, desse mundo que falas, sei lá se não e um mundo do faz de conta.
      Mas voltando, o por que tenho direito a esse novo mundo.
      Por ser um guardião, de um pedaço da natureza do velho mundo.
      E se por acaso não tiver o direito.
      Mando tudo para Senhora que pariu e irei me juntar a poeira cósmica.
      Apegaua

      • FELÍCITY_POETA

        Parabéns por sua belíssima citação fico lisonjeada com o seu comentário pois já ouvi de muitos que ainda tenho muito a aprender sobre o mundo da poesia tenho apenas 25 anos mas sou de um mar que me deixa extasiada e também cheia de contemplamento eu também sou muito intensa por isso escrevo poesias com eterna sinceridade e certeza!!

      • Lucita_54

        Preciso me retratar e me fazer presente mais vezes na Meu Lado Poético.
        Vocês revolucionam com a inspiração...
        Parabéns...



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