Erótica

Versos Discretos

Infiltro uma ideia pela penumbra da tua nuvagem,
fina e afiada como uma haste de marfim.
Não há pressa na geometria:
primeiro habitas o tremor do advérbio,
o modo lento como a linguagem se desveste
antes de roçar a linha do teu pescoço.

Planto um conceito oblíquo que se dilata
na arquitetura morna da tua pele.
Desço pelo relevo suave da barriga,
esculpindo em pensamento cada contorno,
enquanto os lábios entreabertos retêm o ar
e o peito responde, teso e denso,
à gravidade do que ainda é apenas ideia.

Sinto o estalo de um arrepio súbito
quando a metáfora escorrega para além da cintura,
demora-se na vertente interna das coxas
e toca, sem tocar, a doçura oculta da tua flor.
A umidade ali não é pressa;
é a resposta física da imaginação que se acende,
o desdobrar lento de uma simetria secreta.

Invado a fenda sutil entre a memória e a carne.
Manipulo o pulso do teu desejo:
cada curva tua agora arde
em um ritmo que eu compasso,
até que a mente, rendida à própria anatomia,
se abra inteira para o fogo.

  • Autor: Versos Discretos (Offline Offline)
  • Publicado: 8 de setembro de 2026 08:11
  • Categoria: Erótico
  • Visualizações: 9
  • Usuários favoritos deste poema: Apegaua
Comentários +

Comentários1

  • Apegaua

    Ficou porreta de bom, até relevei por estar extasiado
    Com o tamanho da picanha, passaste cego pelo relevo dos mamilos, sem diminuir a velocidade por estar flácido.
    Dessa vez esta perdoado, por sua anciã em chegar ao triangulo das bermudas, mais esfomeado que nunca.
    De agora em diante, só vos leio com a barriga cheia.
    Para não me vir a cabeça.
    Quanta carne e o meu urubu com fome.
    Abraços saudoso Mestre poeta.
    Apegaua..



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