Concubina

Ayalah Verônica Berg

 

O amante morde a pele.
Verônica arde no ar.
Fogo no verbo.
Ser é ferida aberta.
 
Mel e inferno: mesma voz.
A volúpia tem gosto de cinza.
Tudo o que sobe
já sabe cair.
 
Teu corpo é um deus que se despede,
é a hora do punhal amável.
A beleza exige demais:
é fria, exata, e nos abandona.
 
Verônica dança no fio do agora,
a metralhadora doce dos sentidos,
cada espasmo uma sentença,
cada espelho um pequeno suicídio lúdido.
 
Ele despe a penumbra com os dentes,
desenha no escuro a lenta travessia,
pede a entrega sem promessas,
e deixa no lençol um rastro de ironia. 
 
 
Concubina 
 de Ayalah Verônica Berg 

 

  • Autor: Ayalah Berg (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 8 de setembro de 2026 07:14
  • Comentário do autor sobre o poema: "Cada beleza que surge é um presságio de decadência. A nossa delícia na sua contemplação é já uma nostalgia do seu desaparecimento. O esplendor é uma fraude; ele nos prepara para a ruína, nos engana com a plenitude antes de nos precipitar no vazio. É a alegria que precede a morte." –Emil Cioran
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 18
  • Usuários favoritos deste poema: Ayalah Verônica Berg, Morlock, Apegaua, Shmuel


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