O amante morde a pele.
Verônica arde no ar.
Fogo no verbo.
Ser é ferida aberta.
Mel e inferno: mesma voz.
A volúpia tem gosto de cinza.
Tudo o que sobe
já sabe cair.
Teu corpo é um deus que se despede,
é a hora do punhal amável.
A beleza exige demais:
é fria, exata, e nos abandona.
Verônica dança no fio do agora,
a metralhadora doce dos sentidos,
cada espasmo uma sentença,
cada espelho um pequeno suicídio lúdido.
Ele despe a penumbra com os dentes,
desenha no escuro a lenta travessia,
pede a entrega sem promessas,
e deixa no lençol um rastro de ironia.
Concubina
de Ayalah Verônica Berg