What Was Never Mine

atrozeves


Como poderia eu descrever aquilo
que meus próprios olhos
ainda não aprenderam
a compreender?
Há em ti uma beleza estranha,
dessas que não pedem
para ser admiradas.
e, ainda assim,
prendem o olhar.
E teus olhos, talvez a parte mais bela daquilo que não me pertence. Que curiosa ironia
é admirar justamente aquilo
que não nos pertence.
As vezes tenho vontade de dizer-te o quanto és bela,
mas talvez algumas coisas sejam mais bonitas
quando permanecem
em silêncio.
E talvez seja estranho
ver tanta beleza
em alguém
que ainda procura
por aquilo que não soube vê-la. Nada me pertence,
talvez.
Nem teus olhos, nem teu sorriso,
nem sequer o direito
de dizer o quanto os acho belos.
E, ainda assim, eu os admiro. Como quem contempla uma estrela, sabendo que jamais poderá tê-la nas mãos.
Talvez a beleza seja justamente isso,
algo que podemos contemplar sem jamais possuir.
E você, com essa beleza
que nem minhas palavras
sabem alcançar, és talvez a mais bela coisa
que meus olhos já tiveram a infelicidade
de não possuir.

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  • Autor: Atrozesv (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 6 de setembro de 2026 14:43
  • Comentário do autor sobre o poema: Talvez esse poema seja sobre admirar alguém em silêncio. Sobre enxergar uma beleza que talvez ela mesma não perceba, mesmo sabendo que seus olhos estão voltados para outro lugar. Acho que no fim, ele fala sobre aquilo que a gente sente por alguém sem nunca saber se um dia terá coragem de dizer
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 1


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