Como poderia eu descrever aquilo
que meus próprios olhos
ainda não aprenderam
a compreender?
Há em ti uma beleza estranha,
dessas que não pedem
para ser admiradas.
e, ainda assim,
prendem o olhar.
E teus olhos, talvez a parte mais bela daquilo que não me pertence. Que curiosa ironia
é admirar justamente aquilo
que não nos pertence.
As vezes tenho vontade de dizer-te o quanto és bela,
mas talvez algumas coisas sejam mais bonitas
quando permanecem
em silêncio.
E talvez seja estranho
ver tanta beleza
em alguém
que ainda procura
por aquilo que não soube vê-la. Nada me pertence,
talvez.
Nem teus olhos, nem teu sorriso,
nem sequer o direito
de dizer o quanto os acho belos.
E, ainda assim, eu os admiro. Como quem contempla uma estrela, sabendo que jamais poderá tê-la nas mãos.
Talvez a beleza seja justamente isso,
algo que podemos contemplar sem jamais possuir.
E você, com essa beleza
que nem minhas palavras
sabem alcançar, és talvez a mais bela coisa
que meus olhos já tiveram a infelicidade
de não possuir.
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