Ela julga.
Sorri.
Sentencia.
Senta-me no banco
dos réus —
e espera, calada,
como quem tece
a espera
sem pressa.
Diz que carrego
um enredo
pronto para cada espanto.
Não crê.
Explico, tranquilo:
são quase cinco décadas
de chão percorrido.
Um susto,
uma marca,
cisco
que o tempo
não soube roubar.
Lá fora,
um cão late.
Depois,
o silêncio.
Ela finge aceitar.
Suspeita.
Talvez
tenha razão:
como bastaria
uma fábula
para cada coisa viva?
A dúvida
não indaga.
Acusa.
E eu, teimoso, calo.
Ofereço-lhe apenas
outra narrativa:
a de um homem
que temia
toda porta
ainda fechada —
até descobrir
que a verdade
não corre,
não implora,
não se explica.
Mantém-se.
Mesmo onde
ninguém lhe dê guarida.
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Autor:
Oswaldo Jesus Motta (
Offline) - Publicado: 2 de setembro de 2026 11:09
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 2

Offline)
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