A paixão é um reflexo côncavo em dia claro,
invetando gigantes com argamassa e saliva.
Gastou seu sustento no que era mais caro,
amando o desenho de carne esquiva.
No choque da colisão, no atrito do fato,
o mito desaba com estrondo no chão.
O outro é apenas um bicho sensato,
e a fome que tinha não coube na palma da sua mão.
Fugir do real é um vício covarde,
encarar o vazio exige destreza.
Cobra do mundo a promessa que arde,
mas cospe no prato da crua crueza.
Concedo o perdão por puro cansaço,
absolve o fantasma pra não ver seu réu.
Amanhã se engana de novo no traço,
no ciclo acomodado, bebe veneno novamente achando que é mel.
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Autor:
Ana Gonçalves (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 1 de setembro de 2026 01:27
- Categoria: Surrealista
- Visualizações: 1

Offline)
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