A paixão é um reflexo oco em dia claro,
invetando gigantes com argamassa e saliva.
Gastou seu sustento no que era mais caro,
amando o desenho de carne esquiva.
No choque da colisão, no atrito do fato,
a narrativa desaba com um barulho chato.
O outro é apenas um animal sensato,
e a sede que tinha não coube na palma da mão.
Fugir e ignorar o real é um vício covarde,
encarar o vazio exige destreza, sabedoria, plenitude e coragem.
Cobra do mundo a promessa que arde,
mas cospe no prato da crueza.
Concedo o perdão por puro cansaço,
absolve o fantasma pra não ser e não ver seu réu,
Amanhã se engana de novo no traço,
no ciclo acomodado, bebe veneno novamente achando que é mel.