A manhã nasceu dourada, beijando o meu caminho,
O céu vestia azul, o mundo parecia carinho.
O café ainda fumava, tranquilo sobre a mesa,
E o sol jurava ao dia uma eterna beleza.
Mas veio um vento frio, sorrindo sem razão,
Rasgando as nuvens claras com dentes de trovão.
O azul perdeu a cor, o jardim perdeu o brilho,
E a sombra atravessou a casa como quem conhece o trilho.
O primeiro raio caiu como uma velha sentença,
A chuva bateu nas vidraças com cruel insistência.
O céu fechou os olhos, vestido de carvão,
E a manhã que era promessa virou condenação.
Agora a tempestade dança sobre o telhado,
Enquanto o mundo lá fora parece abandonado.
E eu rio no escuro, sem medo de perder,
Pois até o sol mais belo aprende um dia a morrer.
Talvez o tempo seja apenas um velho ladrão,
Que rouba manhãs douradas e devolve solidão.
E quando o céu desaba, feroz sobre a cidade,
Descobrimos que o inferno também sabe ter saudade.
enitnatsnoC oãoJ
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Autor:
enitnatsnoC oãoJ (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 31 de agosto de 2026 09:53
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 5
- Em coleções: enitnatsnoC oãoJ.

Offline)
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