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QUANDO O SOL SE CALA

 

 

A manhã nasceu dourada, beijando o meu caminho,

O céu vestia azul, o mundo parecia carinho.

O café ainda fumava, tranquilo sobre a mesa,

E o sol jurava ao dia uma eterna beleza.

 

Mas veio um vento frio, sorrindo sem razão,

Rasgando as nuvens claras com dentes de trovão.

O azul perdeu a cor, o jardim perdeu o brilho,

E a sombra atravessou a casa como quem conhece o trilho.

 

O primeiro raio caiu como uma velha sentença,

A chuva bateu nas vidraças com cruel insistência.

O céu fechou os olhos, vestido de carvão,

E a manhã que era promessa virou condenação.

 

Agora a tempestade dança sobre o telhado,

Enquanto o mundo lá fora parece abandonado.

E eu rio no escuro, sem medo de perder,

Pois até o sol mais belo aprende um dia a morrer.

 

Talvez o tempo seja apenas um velho ladrão,

Que rouba manhãs douradas e devolve solidão.

E quando o céu desaba, feroz sobre a cidade,

Descobrimos que o inferno também sabe ter saudade.

 

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