Alguma coisa certa em mim se partiu
sem fazer ruído.
E pela pequena rachadura
nasceu qualquer coisa.
De dentro de mim,
para mim.
Algo que era eu
e que, no entanto,
eu nunca tinha visto.
Queria a luz.
E eu deixei.
Não o toquei.
Não o cortei.
Não o arranquei.
Não lhe pedi que parasse.
Deixei-o crescer.
Que tomasse meu peito,
minha alma,
os lugares todos
onde ainda houvesse espaço.
E cresceu.
Cresceu sem pressa,
como se soubesse
que eu não fugiria.
Quando já não houvesse mais espaço,
deixaria que transbordasse.
Que transbordasse sobre mim,
para dentro de mim.
E não fiz nada.
Pela primeira vez,
não fiz absolutamente nada.
Apenas fiquei ali,
deixando-me acontecer.
E assim contemplei,
de dentro de mim,
toda a obra de mim.
Numa eternidade
de fim e começo.
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Autor:
Kauane de Moraes (
Offline) - Publicado: 30 de agosto de 2026 20:54
- Categoria: Triste
- Visualizações: 5

Offline)
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