Pela Linha Vermelha começa o mar:
traineiras, aves voando rente a água
e eu me deslocando com essa mágoa.
não recordo quando me tornaram
um morto em vida
e esta corrosiva centelha
se apoderou de mim.
a garça pousa nos coágulos da água,
pequenos assoreios, monturos aquáticos.
astutíssima garça precisou se reinventar
para viver como quem chega aos sessenta,
às obstinadas perdas.
a luminosa boia verde
torna as águas melancólicas,
mais pesadas minhas asas.
Começa um mar cinzento, de cimento,
mar de pedras, de tijolos sem chapisco,
de chapisco à espera do reboco.
um mar de casas sem asas,
coaguladas na miséria,
um mar de vice-mortos.
à espera do emboço,
tudo fica no esboço,
nas irregularidades,
nos vazios.
a espera dobra de preço
com a tua ausência.
e queixa-se Deus:
você tem minhas bênçãos por tardias...
E começa o mar de mortos,
por projéteis e projetos,
mar de tiros,
mar do cemitério,
mar onde tudo naufraga,
mar onde tudo termina
e verdadeiramente começa
essa amarga despedida.
-
Autor:
LASANA LUKATA (
Offline) - Publicado: 30 de agosto de 2026 15:15
- Categoria: Ocasião especial
- Visualizações: 1

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.