A luz se dobra.
A tarde arde sem promessa.
Caminhaste entre taças,
eu entre sombras úmidas.
Nenhum de nós tocou o centro.
As mãos — ainda tremem.
Esqueceste o prego,
a ferrugem, o quarto.
Não há pontes.
Só o ruído seco da persiana
contra o som do tempo.
O medo governa a névoa.
Rejeito o amor barato,
o vinho morno,
a boca que mente sem saber.
Tudo termina.
Previsível.
Os bastidores exalam espera.
Uma semana, talvez.
O intervalo entre duas quedas.
Adeus em ondas —
inverno, órbitas vazias.
O dia insignificante escorreu
na era do Lobo.
Restou o grandioso.
E o grandioso é trivial.
Jejum.
Portas do inferno.
Ainda assim, ergo a cabeça:
é preciso imaginar-se
queimando.
Intervalo Entre Quedas
de Ayalah Verônica Berg
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Autor:
Ayalah Berg (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 30 de agosto de 2026 13:26
- Comentário do autor sobre o poema: E o Lobo devora o sol, o céu veste sombra e frio, uiva a manhã. –Verônica Berg
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 6
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