O esquecimento engole o que fomos.
O musgo não pergunta — adere.
Viver é aceitar a fresta
que se fecha ao ser confrontada.
Toda lucidez é um joelho dobrado
sobre o chão que não promete.
Pensar é perder a chave
e ainda assim tocar a porta.
Amar: abrir o peito sem fiador,
arder devagar como quem consente.
No deserto do agora,
uma pedra respira —
talvez baste.
Não há resposta:
o espanto de cair
e, no meio da queda,
recolher a mão.
No fundo do abismo,
onde o relógio se dissolve,
há um êxtase humilde:
ser pedra, ser rio, ser adeus —
e ainda assim
recomeçar.
A Lição das Sombras
de Ayalah Verônica Berg
-
Autor:
Ayalah Berg (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 28 de agosto de 2026 12:34
- Comentário do autor sobre o poema: “A maior liberdade é a de não se deixar enganar por si mesmo.” –Paul Valéry
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 6
- Usuários favoritos deste poema: Ayalah Verônica Berg, Rogério

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.