O esquecimento engole o que fomos.
O musgo não pergunta — adere.
Viver é aceitar a fresta
que se fecha ao ser confrontada.
Toda lucidez é um joelho dobrado
sobre o chão que não promete.
Pensar é perder a chave
e ainda assim tocar a porta.
Amar: abrir o peito sem fiador,
arder devagar como quem consente.
No deserto do agora,
uma pedra respira —
talvez baste.
Não há resposta:
o espanto de cair
e, no meio da queda,
recolher a mão.
No fundo do abismo,
onde o relógio se dissolve,
há um êxtase humilde:
ser pedra, ser rio, ser adeus —
e ainda assim
recomeçar.
A Lição das Sombras
de Ayalah Verônica Berg