A Alma do Chiado

Ricardo Maria Louro



De bronze vive em perpétuo ardor
de mão no ar, em gesto de alma ardida, 
de sátira voz ferida e repartida
num olhar em pedra fria ao calor...

 

E num trovar de riso, de clamor,
que à vã Lisboa despertou a vida, 
carregou de vício a sombra empedernida, 
num verso livre de ouro e resplendor. 

 

Por ti, Chiado, a praça espelha luz, 
de lá nos vem o que é uma miragem, 
que ao teu olhar de bronze nos conduz...

 

E do alto, onde o efémero é eterno, 
vem, triunfa barda a tua imagem 
que vence as próprias chamas do inferno!

 

(Ao Poeta António Ribeiro Chiado nascido no ano de 1520 em Évora, poeta satirico, contemporânea de Luis de Camões que vem a falecer em Lisboa no ano de 1591.)



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