De bronze vive em perpétuo ardor
de mão no ar, em gesto de alma ardida,
de sátira voz ferida e repartida
num olhar em pedra fria ao calor...
E num trovar de riso, de clamor,
que à vã Lisboa despertou a vida,
carregou de vício a sombra empedernida,
num verso livre de ouro e resplendor.
Por ti, Chiado, a praça espelha luz,
de lá nos vem o que é uma miragem,
que ao teu olhar de bronze nos conduz...
E do alto, onde o efémero é eterno,
vem, triunfa barda a tua imagem
que vence as próprias chamas do inferno!
(Ao Poeta António Ribeiro Chiado nascido no ano de 1520 em Évora, poeta satirico, contemporânea de Luis de Camões que vem a falecer em Lisboa no ano de 1591.)