Te fiz castelo onde só havia chão, dei abrigo, dei silêncio, dei meu coração. Você virou tempestade, eu virei farol, iluminando a tua noite até perder meu sol.
Cinco meses, cinco luas sobre o mesmo mar, cada onda repetia: "já é hora de voltar". Mas voltar pra quê? Pra cinza, pra ilusão? Quem abraça espinho sangra na própria mão.
Eu sabia que teu vento queria me derrubar, mesmo assim deixei a janela aberta pra te esperar. Que ironia: quem me feria era quem eu quis salvar; o amor fechou os olhos, a razão tentou gritar.
Hoje teu nome ainda ecoa, mas já não faz morada; virou folha desprendida, levada pela estrada. A dor perdeu a coroa, o tempo fez justiça: toda lágrima insistente um dia vira brisa.
Se um dia eu fui corrente presa ao teu cais, hoje aprendi que até o oceano deixa ondas pra trás. Porque quem nasce pra florescer não vive por espinho: leva a cicatriz no peito, mas escolhe o próprio caminho.
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Autor:
Biscoitão (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 27 de agosto de 2026 15:55
- Categoria: Triste
- Visualizações: 4
- Em coleções: Rosa Mosqueta.

Offline)
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