Te fiz castelo onde só havia chão, dei abrigo, dei silêncio, dei meu coração. Você virou tempestade, eu virei farol, iluminando a tua noite até perder meu sol.
Cinco meses, cinco luas sobre o mesmo mar, cada onda repetia: \"já é hora de voltar\". Mas voltar pra quê? Pra cinza, pra ilusão? Quem abraça espinho sangra na própria mão.
Eu sabia que teu vento queria me derrubar, mesmo assim deixei a janela aberta pra te esperar. Que ironia: quem me feria era quem eu quis salvar; o amor fechou os olhos, a razão tentou gritar.
Hoje teu nome ainda ecoa, mas já não faz morada; virou folha desprendida, levada pela estrada. A dor perdeu a coroa, o tempo fez justiça: toda lágrima insistente um dia vira brisa.
Se um dia eu fui corrente presa ao teu cais, hoje aprendi que até o oceano deixa ondas pra trás. Porque quem nasce pra florescer não vive por espinho: leva a cicatriz no peito, mas escolhe o próprio caminho.