Faz dias em que meu quarto não abriga repouso,
abriga apenas vigília e atrito,
o corpo afunda sob meu colchão enquanto a carcaça resiste,
a consciência devora o silêncio num pacto esquisito,
e o osso do peito suporta um relógio que insiste.
Não consigo enxergar uma trégua no ato de apenas tentar desligar,
a máquina viva se expande em circuitos de espanto,
findar o pensar virou ordem difícil de executar,
quando cada fissura do quarto parece um recanto.
Tem noites em que a náusea se curva a uma frágil razão,
labirintite ataca em cada movimento que faço para mudar de posição,
um pacto tácito entre o pulso e o próprio limite.
Mas logo a vertigem desfaz qualquer contenção,
e o espasmo do anseio retorna sem que eu requisite.
Minha carne é um palco de cálculo, peso e desgoverno,
fechar as pálpebras torna ato ainda mais denso.
Não sinto alívio no estalo deste falso inverno,
as veias da minha têmpora doem de tanto que vejo o tempo fugir,
pesando na mente o cansaço que me impede de dormir.
eu sou a vigília, o castigo e o nervo que penso.
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Autor:
Ana Gonçalves (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 27 de agosto de 2026 02:50
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 6
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