Sob a copa de uma betula antiga, onde o tempo hesitava em pousar,
nossa infância tecia pactos de seda e orvalho.
O mundo lá fora era surdo, mas ali, no ventre das raízes,
nossos olhos já sabiam o peso daquilo que a gente não podia.
Rodamos então por eras sem nome, vestindo peles de rainha, de bruma, de estrela cadente.
Fomos o que o destino quis, em formas tão díspares, tão errantes.
Contudo, bastava um sopro no vento, um eco na multidão,
e a alma, em seu mistério divino, reconhecia aquela voz que não nos permitem ouvir.
Sempre deram a chance de ser o rio que rompe a margem, o fogo que aquece a noite.
Mas fomos a beleza intocável, o suspiro que não chega a se completar.
E assim foi, e assim ficará; um ciclo de luz que escolheu não se desfazer,
uma obra-prima no fundo do mar.
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Autor:
Amanda S. Moraes (
Offline) - Publicado: 26 de agosto de 2026 23:14
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3
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