Por eras

Amanda S. Moraes

Sob a copa de uma betula antiga, onde o tempo hesitava em pousar,

nossa infância tecia pactos de seda e orvalho.

O mundo lá fora era surdo, mas ali, no ventre das raízes,

nossos olhos já sabiam o peso daquilo que a  gente não podia.

Rodamos então por eras sem nome, vestindo peles de rainha, de bruma, de estrela cadente.

Fomos o que o destino quis, em formas tão díspares, tão errantes.

Contudo, bastava um sopro no vento, um eco na multidão,

e a alma, em seu mistério divino, reconhecia aquela voz que não nos permitem ouvir. 

Sempre deram a chance de ser o rio que rompe a margem, o fogo que aquece a noite.

Mas fomos a beleza intocável, o suspiro que não chega a se completar.

E assim foi, e assim ficará; um ciclo de luz que escolheu não se desfazer,

uma obra-prima no fundo do mar. 

  • Autor: Amanda S. Moraes (Offline Offline)
  • Publicado: 26 de agosto de 2026 23:14
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3
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