Lírio Branco

snowy trash

No meio de tantas flores brilhantes,

ele persistia em voar atrás da dor.

 

Um pequenino danadinho;

que voa de flor em flor.

Tenta ajudar as coitadinhas,

Sem se importar com quem as machucou.

 

Poucas vezes ele falhou,

todas as vezes ele chorou.

O medo o consome por dentro,

mesmo assim, continua vivendo.

 

Uma vez, um beija-flor me contou com sussurros,

que mesmo uma flor murcha e "feiosa",

existia uma flor com uma luz grandiosa;

que ainda existe em sépalas desbotadas.

 

Com delicadeza no olhar,

a flor brilha em lágrimas.

A ave tenta entender o motivo

da flor... querer morrer.

 

Com suas raízes enterradas,

escondidas, com dores retalhadas.

Pensa que suas pétalas são horrorosas,

que esquece a beldade do quanto elas são impetuosas.

 

A flor, trêmula...

mostra o seu único pólen vivo.

Em um estado tão crucial;

entre a vida e o declínio.

 

Dia após dia, o beija-flor a visita;

com esforço nas suas pobres asinhas.

Amor, carinho... conforto —

Tudo isso não salva nada.

 

Tanto tempo se passa,

que a pobre ave não voava.

O medo em insistir no mesmo erro.

Por que continuar?

Vai chorar desesperado? 

Você nem sequer tentou voar.

 

Mais do que um beija-flor;

poliniza pétalas com a dor.

Falso adubo machuca,

às vezes, o afastamento cura.

 

Mesmo sendo a flor mais bonita,

quando ela não é ouvida,

e nem acolhida;

sua morte é tardia.

 

Em certo dia,

a flor não teria mais visitas.

Um certo dia,

a ave nunca mais voltaria.

 

...

...

...

 

Separados entre as ventanias;

culpas que flutuam entre as ortigas.

Pensamentos diferentes,

dores diferentes.

Apenas um

sentia o peso de carregar flores rugosas.

 

Sozinho.

  • Autor: snowy trash (Offline Offline)
  • Publicado: 26 de agosto de 2026 03:42
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 1


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