No meio de tantas flores brilhantes,
ele persistia em voar atrás da dor.
Um pequenino danadinho;
que voa de flor em flor.
Tenta ajudar as coitadinhas,
Sem se importar com quem as machucou.
Poucas vezes ele falhou,
todas as vezes ele chorou.
O medo o consome por dentro,
mesmo assim, continua vivendo.
Uma vez, um beija-flor me contou com sussurros,
que mesmo uma flor murcha e \"feiosa\",
existia uma flor com uma luz grandiosa;
que ainda existe em sépalas desbotadas.
Com delicadeza no olhar,
a flor brilha em lágrimas.
A ave tenta entender o motivo
da flor... querer morrer.
Com suas raízes enterradas,
escondidas, com dores retalhadas.
Pensa que suas pétalas são horrorosas,
que esquece a beldade do quanto elas são impetuosas.
A flor, trêmula...
mostra o seu único pólen vivo.
Em um estado tão crucial;
entre a vida e o declínio.
Dia após dia, o beija-flor a visita;
com esforço nas suas pobres asinhas.
Amor, carinho... conforto —
Tudo isso não salva nada.
Tanto tempo se passa,
que a pobre ave não voava.
O medo em insistir no mesmo erro.
Por que continuar?
Vai chorar desesperado?
Você nem sequer tentou voar.
Mais do que um beija-flor;
poliniza pétalas com a dor.
Falso adubo machuca,
às vezes, o afastamento cura.
Mesmo sendo a flor mais bonita,
quando ela não é ouvida,
e nem acolhida;
sua morte é tardia.
Em certo dia,
a flor não teria mais visitas.
Um certo dia,
a ave nunca mais voltaria.
...
...
...
Separados entre as ventanias;
culpas que flutuam entre as ortigas.
Pensamentos diferentes,
dores diferentes.
Apenas um
sentia o peso de carregar flores rugosas.
Sozinho.