um barulho de lata alvejada com a funda
um vidro quebrando e a chinelada na bunda
o som murcho de petardos em bola chocha
o doído zunido e vermelho lavrado na coxa
um gemido de carro de bois retratando fé
a Maria no tabuleiro e, na canga, o seu José
com camisa apertada, umbigo de fora e sujo
mais atrás, um Jesus em passo de caramujo
um galho partindo só pra engabelar barriga
quase meio-dia e uns rebuliços de “lombriga”
toco de peroba e o silvo cansado do serrote
diálogos de bicos entre a galinha e o filhote
a menina gritando pra ouvir peru: glu glu glu
longe, um ploff de bolha estourando no ragu
o eco do berro do porco na sua última sanha
e o chiado das rodelas de morcilha na banha
à mesa, olhares falantes de uma gente tanta
os que calaram tão cedo, como o da tia Santa
os serenos ralhando um carinho sem tamanho
e aquele par que ninara, em verde e castanho
-- esse poema foi publicado em meu blog pessoal
(https://antoniobocadelama.blogspot.com/) em 24/08/26 –
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Autor:
Antonio Luiz (
Offline) - Publicado: 25 de agosto de 2026 12:48
- Comentário do autor sobre o poema: Esse poema havia sido postado ontem, mas ganhou mais três versos e algumas alterações pontuais.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3

Offline)
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