Talvez eu tenha criado este nome
porque nunca aprendi a simplesmente olhar.
Há sempre alguma coisa escondida
naquilo que parece banal:
um céu carregado,
uma janela acesa,
uma rua depois da chuva,
o silêncio entre duas pessoas.
The Last Poet nasceu dessa necessidade
quase inexplicável de guardar o que desaparece.
Porque a memória é uma criatura complexa:
ela não conserva o mundo como ele foi,
mas como nós fomos capazes de senti-lo.
Fotografo paisagens
como quem tenta interromper o tempo.
Não para possuir o instante,
mas para provar que ele existiu.
Talvez sejamos todos arquivos ambulantes
de coisas que já não existem.
Colecionamos lugares, vozes, rostos,
versões de nós mesmos
que o tempo condenou ao esquecimento.
E talvez ser poeta
não seja necessariamente escrever versos.
Talvez seja perceber.
Perceber aquilo que o mundo
passa depressa demais para explicar.
Encontrar beleza no que não pede atenção.
Dar significado ao que, para os outros,
é apenas mais uma paisagem.
Por isso, The Last Poet.
Não porque eu seja o último poeta,
mas porque existe em mim
o desejo quase impossível
de registrar alguma coisa
antes que ela se torne memória.
Enquanto o mundo passa,
eu observo.
Enquanto tudo desaparece,
eu guardo.
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Autor:
The Last Poet (
Offline) - Publicado: 25 de agosto de 2026 02:45
- Comentário do autor sobre o poema: Para mim, The Last Poet representa a necessidade de enxergar significado nas pequenas coisas. O poema nasceu da vontade de registrar paisagens, momentos e sentimentos antes que se percam no tempo. Mais do que falar sobre ser poeta, ele fala sobre olhar o mundo com atenção e transformar aquilo que sinto em memória. Cada foto é, de certa forma, uma tentativa de dizer: eu estive aqui, eu vi isso e isso significou alguma coisa para mim.
- Categoria: Conto
- Visualizações: 4
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.

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