O Alquimista do Cotidiano
Uma estimativa verdadeira das minhas necessidades pessoais:
A notável essência sempre prescreve o melhor para o próximo e assim o faz,
Porém, essa rota cauterizada esquece que o mundo humano
Não é um jardim maravilhoso, seguro e confortável.
Angariar perfeição a uma identidade seria impecável,
Mas, nesse universo desordenado e mutável,
Todo amor é controlado por seres especiais ou aleatórios.
Há quem faça você voar e ir até as alturas,
Mas cuidado para não adentrar em mundo particular ou planeta de marcianos!
Reconheço também — e ainda citando o belo jardim —
Que às vezes não sou a flor mais doce que se deleite ali,
Mas quero advertir a todos que sou profundamente zeloso
Na arte antiga e teimosa de acreditar no amor.
Porém, nenhuma lucidez é constante na mente que sente,
A mente oscila em corda bamba, o chão some de repente.
O brilho eterno que eu tanto buscava se partiu,
Esvaem-se as joias, a ilusão no peito desmoronou.
Ficam os dedos vazios de quem tanto esperou,
Jaz o diamante, o orgulho, a falsa eternidade.
Quem procura pelo eterno ficará sempre preso na inércia
Ou na impaciência cinzenta do cotidiano.
Descubro, na nudez das mãos que perderam o tesouro,
Que desenhar castelos no vento invisível não traz a paz.
Tenho a espontaneidade viva de cozinhar refeições,
Tempero a saudade com sal, mas há a tristeza emoldurada em comer só.
Na mesa posta para um, o silêncio é o prato principal,
Mas sou salvo de tanta ausência pelo Yuki, o gato.
Soberano na sua devoção esmagadora sobre mim, ele me estima,
Yuki, o rei de passos macios, preenche com ronrons meus vazios.
Às vezes parece que certas criações vêm prontas do universo,
Preparadas em grau máximo de devoção, mistério e sensibilidade,
Craques em tirar sorrisos espontâneos de rostos cansados.
Sua única e pura ciência é curar o meu coração.
Viver poderia ser muito mais simples,
A fórmula do sol é sempre mais complexa,
Mas a sombra acolhedora que todos querem é a mais esperada.
Sem perder nem o mínimo de esperança, porque a vida continua.
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Autor:
CORASSIS (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 24 de agosto de 2026 22:09
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 5
- Usuários favoritos deste poema: Maria Ventania, Michel F.M.

Offline)
Comentários1
Essa letra de música me deixou sem ar. Está sensacional, arrepiante!!! Lembra sim o Pink Floyd com suas reflexivas canções arrebatadoras. AMEI!!! Beijos ao mestre.
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