eles turvam a água
para que você não veja,
para que você não beba,
para que você não seja,
para que você não saiba,
para que você não suba
e depender da aspereza;
turvam a água e são retráteis,
retratos de déspotas a despistar
cinicamente;
eles estão na superfície
e nós no fundo, entre náufragos,
como seres estranhos,
se alimentando do que afunda
e está morto;
no fundo,
sem vermelho,
sem amarelo,
sem verde,
o azul já se desfaz
escuro e frio
e eles sempre incandescentes.
a onça se torna bonita
com a morte do jacaré.
eles estão na superfície
e nós no fundo,
em baixa temperatura-
dentes à mostra-
e a pressão aumenta
esse entredevorar-se.
tempo em que a palavra esperança é cipreste
e se presta à proliferação de bactérias;
a paciência pula o muro,
e há versos que nascem das feridas,
da injustiça, do incêndio, do abuso,
e até os poemas são equipados para a guerra.
-
Autor:
LASANA LUKATA (
Offline) - Publicado: 24 de agosto de 2026 15:26
- Categoria: SociopolÃtico
- Visualizações: 2

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.