Poema sem margens

LASANA LUKATA



 

Sob a égide dos maus,
deste porto,
foram-se as naus,
foram-se as falúas,
foram-se as luas,
foram-se os marujos,
ficaram engenheiros,
retificar, canalhizar os rios,
esconder-nos sob pedras,
perdendo ritmo, surpresas,
a dança das águas
mostrando suas curvas,
ficaram as águas turvas,
água reta é para enchentes,
para a severa erosão
das margens do poema,
arrastando versos preciosos.

Neste porto,
a esperança,
branca num pé só,
realidade mutilada,
Garça,
escapa
para o alto flamboyant.

abandonar-se à correnteza,
só na poesia.
poeta, morcego. enxerga pelo som.

E as águas dizendo:

devolvam minhas curvas.

  • Autor: LASANA LUKATA (Offline Offline)
  • Publicado: 23 de agosto de 2026 15:52
  • Categoria: Natureza
  • Visualizações: 3


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