NOITES DOURADAS

Charles Araújo

NOITES DOURADAS

 

Enquanto houver vestígios  

de corpos exaustos,  

persianas entreabertas  

e o gosto do ontem na boca,  

seguiremos fingindo que o amanhã não existe,  

que o desejo não tem preço.  

 

Entre teus delírios por mim  

e meus anseios que nunca dormem por ti,  

somos sombra e fogo,  

cúmplices de um vício sem nome,  

perdidos no perfume de lençóis de cetim.  

 

Rimos do tempo que insiste em passar,  

dos juramentos que deixamos no ar,  

dos olhares que prometem mundos  

mas nunca ousam atravessá-los.  

 

Bebemos a vida em goles fundos,  

na embriaguez de uma  

eternidade momentânea,  

onde o desejo é o único idioma  

e a pele a única resposta.  

 

E quando o dia nos chama de volta,  

sorrimos, cúmplices,  

fingindo que nada aconteceu.  

Mas nos olhos ainda brilha a fome  

pelo próximo gole,  

o próximo devaneio,  

o próximo jogo.  

 

Porque há os que se encontram no amor,  

e os que preferem se perder  

no jogo da sedução e nas loucas paixões dos mortais

  • Autor: C.araujo (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 23 de agosto de 2026 11:11
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4
Comentários +

Comentários1

  • Shmuel

    O poema explora a intensidade da paixão carnal e o escapismo, construindo um ambiente sensual, efêmero e marcada pela conexão..

    Abraços,



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