NOITES DOURADAS
Enquanto houver vestígios
de corpos exaustos,
persianas entreabertas
e o gosto do ontem na boca,
seguiremos fingindo que o amanhã não existe,
que o desejo não tem preço.
Entre teus delírios por mim
e meus anseios que nunca dormem por ti,
somos sombra e fogo,
cúmplices de um vício sem nome,
perdidos no perfume de lençóis de cetim.
Rimos do tempo que insiste em passar,
dos juramentos que deixamos no ar,
dos olhares que prometem mundos
mas nunca ousam atravessá-los.
Bebemos a vida em goles fundos,
na embriaguez de uma
eternidade momentânea,
onde o desejo é o único idioma
e a pele a única resposta.
E quando o dia nos chama de volta,
sorrimos, cúmplices,
fingindo que nada aconteceu.
Mas nos olhos ainda brilha a fome
pelo próximo gole,
o próximo devaneio,
o próximo jogo.
Porque há os que se encontram no amor,
e os que preferem se perder
no jogo da sedução e nas loucas paixões dos mortais